Ana Lúcia Parente

Crónica 2  (30-04-2026)

ENTRE FLORES E ESPIRROS... A ALEGRIA (E ALERGIA) DA PRIMAVERA

A primavera traz consigo dias mais longos, campos cheios de flores e maior sensação de bem-estar.
No entanto, para muitos de nós, esta estação também significa olhos a lacrimejar, espirros frequentes e nariz entupido.

"São só alergias", diz-se muitas vezes. E, na maioria dos casos, é mesmo verdade. Ainda assim, isso não significa que devam ser desvalorizadas. Mesmo sendo benignas, as alergias podem causar bastante desconforto e ter um grande impacto no dia a dia.

O que são afinal as alergias?

As alergias são uma resposta exagerada do sistema imunitário a substâncias normalmente inofensivas, como o pólen (de plantas, árvores e ervas), o pó doméstico (ácaros), pelos de animais e até fungos presentes no ambiente.

Quando essa resposta exagerada acontece, estas substâncias causam inflamação no nariz e nos olhos, originando os sintomas típicos desta época do ano.

Sintomas comuns:

Os sintomas da rinite alérgica são muitas vezes confundidos com os de uma constipação, mas têm algumas características próprias: surgem de forma mais rápida, duram vários dias ou semanas e não provocam febre.

Os mais comuns incluem:
  • Espirros repetidos;
  • Nariz entupido ou com corrimento (geralmente transparente);
  • Comichão no nariz, olhos ou céu da boca;
  • Olhos vermelhos e lacrimejantes;
  • Tosse seca, sobretudo à noite.
O que podemos fazer no dia a dia?

Existem algumas medidas simples que podem ajudar bastante a controlar os sintomas, tais como:
  • Evitar sair nas horas de maior concentração de pólen (de manhã cedo e no final da tarde);
  • Evitar ambientes muito húmidos ou ventosos e a exposição ao fumo;
  • Manter as janelas fechadas em dias ventosos;
  • Tomar banho e mudar de roupa após estar no exterior;
  • Usar óculos de sol para proteger os olhos;
  • Reduzir a exposição ao pó da casa, limpando com frequência e, se necessário, evitando tapetes, carpetes e cortinas, sobretudo no quarto.
  • Se houver suspeita ou confirmação de alergia a epitélios de animais, evitar o contacto próximo com estes.
E os medicamentos?

Antes de recorrer a medicamentos, devemos sempre começar por medidas simples, como lavagens nasais com água do mar ou soro fisiológico para desobstruir o nariz ou compressas de água fria nos olhos.

Mas se isso não for suficiente, existem tratamentos eficazes que ajudam a controlar os sintomas, que devem ser usados de forma correta e com orientação médica ou farmacêutica:
  • Os anti-histamínicos orais - os chamados "comprimidos das alergias" - aliviam os sintomas com muita eficácia e são o tratamento de primeira linha se for necessário usar medicamentos. O ideal é tomá-los à noite e evitar o consumo de álcool associado. Adicionalmente, é importante ter cuidado ao conduzir, pois alguns podem dar sono como efeito secundário.
  • Os sprays nasais com corticóide são bastante úteis para aliviar os sintomas nasais, mas exigem uma utilização correta e regular. Já os descongestionantes nasais (como a fenilefrina) aliviam apenas temporariamente e não devem ser usados por mais de 4 a 5 dias, pois podem agravar os sintomas e ter efeitos indesejáveis.
  • Os colírios (gotas para os olhos), com anti-histamínicos ou corticóides, podem também ajudar no alívio dos sintomas oculares
Mas e quando "não é só alergia"?

É importante também estar atento quando surgem sinais menos típicos, como:
  • Febre;
  • Expetoração amarela ou esverdeada persistente;
  • Falta de ar ou pieira (chiadeira/"gatinhos" no peito);
  • Tosse que não melhora ou piora com o tempo;
  • Sintomas muito intensos ou prolongados.
Nestes casos, pode não se tratar apenas de alergia e existir uma infeção respiratória ou agravamento de uma doença respiratória de base (por exemplo, asma) subjacente. Por isso, é importante procurar avaliação médica!

Mensagem final

Entre flores e espirros, a primavera pode ser vivida de forma muito diferente de pessoa para pessoa.

As alergias são frequentes e, na maioria das vezes, benignas, mas devem ser reconhecidas e tratadas adequadamente. Saber distinguir o que é esperado do que não é faz toda a diferença.

"Conversas sobre Saúde."