Clotilde Morgado Ferreira

Crónica 2 (08-05-2026)

"A História que se esconde por trás de uma imagem"

Com este pequeno retrato da Santa Casa da Misericórdia, dou seguimento às minhas crónicas:

Santa Casa da Misericórdia de Alegrete

As Santas Casas da Misericórdia nasceram pela Mão da Rainha D. Leonor com o apoio de seu marido , a de Alegrete faz parte das primeiras em Portugal, não se sabe exatamente o ano de fundação , mas existe um documento assinado pelo referido Rei em que dá ordens aos seus oficiais e tesoureiros da Casa da Mina, para que seja doada à Santa casa da Misericórdia de Alegrete, a partir de Janeiro de 1525 duas arrobas de açúcar anualmente. Sabemos ainda que só começaram a fazer atas a partir de 1906 sendo o provedor da altura Joaquim António Mousinho.

As Santas Casas foram criadas com o intuito de bem fazer e na altura um bem precioso para órfãos e doentes, foram estas instituições que deram as mãos a muita gente , quando proliferava a tuberculose , os casais com 8,9,e dez filhos, era uma pobreza extrema , regiam-se pelo que agora se chamam Estatutos a que chamaram:

Obras de Misericórdia

Corporais

Dar de comer a quem tem fome

Dar de beber a quem tem sede

Vestir os nus

Dar pousada aos peregrinos

Tratar os enfermos

Visitar os presos

Enterrar os mortos

Espirituais

Dar bons conselhos

Ensinar os ignorantes

Corrigir os que erram

Perdoar as injurias

Consolar os tristes

Sofrer com paciência as fraquezas do próximo

Rogar a Deus pelos vivos e defuntos

Em 1961 é colocado na paróquia de Alegrete o padre Augusto Santiago, que é convidado por vários irmãos a ocupar o cargo de provedor, tendo como maior tarefa reativar a vida da Santa Casa que se encontrava desorganizada.

Segundo documentação existente entre 1906 e 1954 existia um pequeno hospital que tratava doentes sem recursos e o provedor, P. Santiago, ainda desenvolveu ações no sentido de renovar e dar continuidade ao hospital , mas por demasiada burocracia , não chegou a concretizar-se…, era também responsável pelas cerimónias da Semana Santa, tratava dos funerais ,uma vez que tinha uma carreta para esse trabalho.

Em 1965 mais um novo pároco vem para Alegrete, Américo Ribeiro Agostinho, tendo ainda nesse ano sido eleito Provedor, logo na primeira ata foi referenciado por todos os membros a necessidade da criação de um centro social dando prioridade a um infantário, em virtude de as mães deixarem os filhos para irem trabalhar. E assim nasce o "Jardim Infantil" que recebia crianças dos 2 aos 7 anos de idade, era uma alegria tantas crianças coordenadas pela menina Ana Rita. Seguiu-se o A.T.L. para que, á medida que iam passando para a escola continuarem com atividades até chegarem os pais, esta Valência foi sempre coordenada pela Maria José Balola.

Mais tarde pensou-se nos mais velhos e criou-se o Centro de Dia e Apoio Domiciliário por fim o lar transformou-se numa Instituição de Solidariedade Social com bastante vitalidade e respirava desenvolvimento. Mas como em todo o Portugal as pessoas foram diminuindo e as valências das instituições também.

Hoje em dia a Santa Casa da Misericórdia tem as valências de Lar, Centro de Dia e Apoio Domiciliário. Sendo provedora Maria do Carmo Serrote.

Para terminar esta resumida descrição gostava de saber quem passou por estas tão estimadas valências ,quem tem boas recordações do seu infantário? E do A.T.L?, ou ainda quem teve ou tem um familiar na residência de idosos?

Clotilde Virgínia Dinis Morgado Fonseca

vossa amiga de sempre.