AS COZINHEIRAS

Crónica 2 (07-05-2026)

Eram elas que guardavam os melhores segredos da gastronomia típica de cada ocasião. Iguarias que em dias certos se faziam presentes na mesa dos alegretenses. Quantidades de cada ingrediente, tempo de fazer e até qualidade do que escolher, era com elas: as cozinheiras, que com o seu dom nato arregaçavam mangas cada vez que eram contratadas para mais um evento, certamente importante na vida de alguém.

Maioritariamente, era para casamentos que o seu trabalho era requerido, mas também havia outros momentos em que se procurava por elas: batizados, celebrações públicas ou privadas, almoços ou jantares comemorativos.

O saber era-lhe passado pelas gerações anteriores, no entanto, não abdicavam nunca de aprender novas receitas ou mesmo de experiências pessoais para aperfeiçoar algum pormenor que estivesse menos bem; sempre acompanhando as tendências de cada época.

Mas estas dotadas senhoras também eram, quase sempre, coordenadoras de uma equipa, pois ao contratá-las havia a necessidade de contratar também as chamadas ajudantes. Mulheres cujo trabalho era menos especializado, logo menos dispendioso, mas indispensável para o bom desempenho da cozinheira, para que esta não desperdiçasse o seu tempo com as tarefas mais gerais.

E eram ainda atentamente acompanhadas por quem solicitava os seus serviços: organizador\a do evento, dona da casa ou no caso dos casamentos, as mães dos noivos que ansiosamente zelavam para que nada falhasse.

Em ocasiões assim, começavam logo alguns dias antes na elaboração dos vários preparativos. No caso dos casamentos e batizados, faziam os bolos mais duradouros, que depois seriam oferecidos a quem desse uma prenda e uma ou outra iguaria que pudesse ser feita com maior antecedência. Quanto aos pratos de carne, quase todos, temperados de véspera, eram o cabrito e o borrego que dominavam, abatidos em casa ou encomendados aos talhantes da vila. Variados eram os pratos que se faziam com estas carnes, mas havia um que se de início era uma inovação requintada, logo se tornou obrigatório…

Costeletas de Borrego Panadas Com Miolada


Costeletas

  • 12 costeletas de borrego
  • 3 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • 1 copo de vinho branco
  • 2 ovos
  • Sal
  • Pimenta
  • Pão ralado
  • Óleo ou azeite para fritar
Temperar as costeletas com o sal, a pimenta, os alhos picadinhos, o louro partido aos bocadinhos e o vinho. Deixar a tomar dos temperos, durante algumas horas.

Passado esse tempo, escorrer as costeletas, passar pelos ovos batidos e pelo pão ralado e fritar.

Miolada

  • 1 miolada de borrego
  • 2 rins
  • 250 gr de pão esfarelado
  • 3 dentes de alho
  • 1 dl azeite
  • 1 folha de louro
  • 4 ovos batidos
  • Sal
  • Salsa
  • Umas gotinhas de vinagre

Num tacho, por o azeite, os alhos picadinhos, o louro e refogar. Juntar os rins cortados miudinhos e depois de cozerem um pouco, juntar os miolos do borrego e a seguir, o pão esmiolado. Bater os ovos com a salsa cortada miudinha. Misturar tudo, até estar no ponto desejado e por fim, as gotinhas de vinagre. 

Receita e fotografia cedidas por Clotilde Morgado Fonseca

Clotilde Morgado Fonseca e Luísa Vaz Tavares