Maria do Carmo Serrote
Crónica 2 (28-08-2026)
Os saberes da Aldeia
Um dia, numa sala de aula, a nossa professora
Ensinou-nos que o vento é simplesmente uma massa de ar.
E eu acreditei. Se a professora o diz…Mas não compreendi,
E pus-me a cogitar.
De volta para a aldeia onde ninguém estudou,
Resolvi perguntar.
E disse o Zé Moleiro; - O vento é pó de trigo.
São velas a rodar. O vento é um amigo.
O Luis Pescador gritou sem se conter:-O vento faz as ondas e fez meu pai morrer!
O vento é assassino. O vento faz doer.- Nem sempre - Lembrei eu.
Levanta os papagaios
E fá-los ser estrelas, num céu azul de sol.
E gemeu a velhinha num canto do portal:- O vento é dor nos ossos…- É roupa no varal sequinha num instante!
Afirmou a minha mãe,
Correndo atarefada entre a casa e o quintal
Mas logo replicou um velho jardineiro:- O vento meus amigos , destrui-me as roseiras,
E fez cair as flores da minha trepadeira
O vento é muito mau.
Um poeta sorriu:
- O vento é a beleza. As searas são mar
Se o vento as faz mover, no campo a ondular!
Então sentei-me à mesa e estudei a lição.
Já sei o que é o vento.
É dor. É medo. É pão.
É beleza e canção.
É a morte no mar
E por trás de tudo isso,
É uma massa de ar.
(Autor desconhecido)