Vitor Trindade

Crónica 2 (12-06-2026)

Poemas na Primeira Pessoa

Palavras do Vítor…

"Quero agradecer todas as palavras que me dirigiram sobre a minha primeira crónica. Fico sempre comovido com o apoio que me dão. Hoje, o poema é sobre as profissões que havia na nossa terra, de todas elas eu me lembro."


Antigas Profissões de Alegrete


No meu tempo de criança
Muitas profissões havia
Situada na Carreira
A famosa barbearia
Alegrete mais conhecida
Por terra dos sapateiros
Mas também tinha alfaiates
Costureiras e padeiros
Também tinha carpinteiros
De obra fina e obra grossa
Ainda me lembro de ver
A construção de uma carroça
Tinha ferreiros e ferradores
Tosquiavam-se animais
Tinha carreiros e almocreves
E os trabalhadores rurais
Havia talhos e comercio
E também salsicharias
Havia um posto dos correios
E também as mercearias
E as nossas lindas tabernas
À luz do velho candeeiro
As pessoas eram felizes
Mesmo com pouco dinheiro
À tarde ao por do sol
Cansadas de trabalhar
Vinham as azeitoneiras
Chegavam sempre a cantar
E também os lagareiros
Na sua fega do lagar
Trabalhavam por dois turnos
Para a azeitona transformar
Este azeite maravilhoso
Que a nossa Alegrete tem
Poderá haver igual
Mas melhor não tem ninguém
Depois tínhamos os pastores
E os vaqueiros guardando o gado
Os tiradores de cortiça
Trabalhando-a com seu machado
E as nossas lindas ceifeiras
Com o lenço tapando o rosto
Não queriam a pele queimada
Ao chegar o mês de agosto
Para terem a pele fina
No tão desejado dia
E irem à procissão
De Nossa Senhora D'Alegria
Foram tantas profissões
Que o tempo já perdeu
Hoje sinto grande orgulho
De quem nessa época viveu


Fotografia: trabalhadores rurais, por conta da família Mouzinho

Cedida por Carmo Serrote