AGUARDENTES E LICORES
Crónica 11 (01-09-2026)
A Panela Ao Lume…
Aguardentes e Licores
Desde tempos pré-históricos que a aguardente é fabricada e consumida pelo homem, estando ligada à invenção do alambique e à descoberta da destilação. Na idade média, do domínio da alquimia, era utilizada como medicamento e acreditava-se ser o elixir da vida. O que, de certa forma, ainda se mantém entre nós: muitos dos nossos mais antigos têm o hábito de beber um copinho de aguardente em jejum ou as nossas avós, de fazem xaropes misturando-a com mel, para curar as constipações.
Embora se possa extrair de qualquer fruto fermentado, e há quem o faça, as mais tradicionais na nossa região são a aguardente de medronho, a de figo e principalmente a de uva, deixando que os cachos fermentem para o efeito ou aproveitando o bagaço que se retira do vinho: a aguardente bagaceira.
À medida que o alambique se foi aperfeiçoando e as técnicas de destilação foram evoluindo também a bebida se foi tornando mais popular e passou a ser consumida socialmente. Na nossa freguesia, todos os montes e casas agrícolas tinham um alambique, que muitas vezes trabalhava não só na transformação da própria produção dos frutos colhidos, como também na de pequenos produtores, à maquia. Que é o mesmo que dizer, à percentagem.
É muito usual, por aqui, beber-se a acompanhar o café ou como digestivo. O que, de alguma forma, levou à criação dos licores. Normalmente, com um menor teor alcoólico, mais aromáticos e adocicados, é fácil imaginar que na nossa gastronomia os há para todos os paladares. Bastando para os obter, utilizar as ervas ou condimentos típicos da cozinha alentejana.
A título de exemplo:
Licor de Poejo
- 20 gramas de poejo
- 500 ml de aguardente
- 500 gramas de açúcar
- 500 ml de água
Deixar macerar num local escuro, durante 20 a 30 dias.
Findo este tempo, levar a água a ferver com outro molho de poejos (isto se quiser um sabor mais intenso), durante cerca de 5 minutos. Depois juntar o açúcar até fazer uma calda.
Deixar arrefecer esta mistura e juntar a aguardente coada.
