António Fernandes Delicado
Crónica 3 (26-06-2026)
Retomo, hoje, a memória de Músicos de Alegrete com história.
É uma forma de lhes prestar justa homenagem.
Na última crónica falei dos dois primeiros músicos/maestros: Sérvulo Fernandes e seu filho José Augusto Fernandes. Hoje vou recordar um punhado de Músicos Alegretenses com os quais tive o privilégio de contemporizar: José Monteiro ( Passarinho ), Manuel Joaquim Pires, Manuel Delicado ( Castiço ), Joaquim Pacheco Correia ( do Tonho Mãe ), Manuel Silva ( Farinha ), Luis Pires.
Estes Músicos Alegretenses foram todos galardoados com ouro. Permaneceram na Banda mais de 50 anos.
Após cerca de 10 anos de hibernação, a Filarmónica União e Recreio Alegretense acordou em 1919 com nova denominação: Sociedade Filarmónica Alegretense. Foi contratado o maestro Francisco Ramos que confrontado com a necessidade de fortalecer a Banda, fundou uma Escola de Música da qual saíram os músicos citados que viriam a constituir-se, ao longo de décadas, como o pilar da Filarmónica: pela sua paixão, dedicação e, como amadores, verdadeiros artistas. Pode mesmo afirmar-se que foi a geração de ouro da nossa Filarmónica.
A década de 1920 serviu para restauração da Banda e formação/aperfeiçoamento dos executantes. A década de 1930 pode afirmar-se que foi o período de ouro, de expansão e divulgação. Os convites para actuações não cessavam. Sempre que a Filarmónica de Alegrete saía à rua, era motivo de notícia em todos os jornais de Portalegre.
Os níveis de qualidade técnico-artística, dedicação e postura social atingidos pela Filarmónica nesta década, que se prolongariam pelos tempos, devem-se essencialmente ao perfil dos maestros Joaquim Carvalho e José António Santos que souberam explorar a matéria-prima que por cá havia da qual se destaca o grupo já citado: José Monteiro, Manuel Joaquim Pires, Manuel Delicado, Joaquim Pacheco Correia, Manuel Silva e Luis Pires.
Por esta época a Filarmónica de Alegrete reassume a sua história e passa a desempenhar, com brio e dignidade crescente, o fim para que foi criada: divertir, divertindo-se e levando o nome de Alegrete e as suas gentes a reboque, por todas as povoações da região.
Relativamente aos músicos que hoje destaco, direi, ainda, que eram multifacetados – desdobravam-se em actividades extra Banda: Manuel Delicado, o cómico, esteve sempre ligado ao Teatro; Luis Pires e José Monteiro acompanhavam o Teatro na Orquestra, Manuel Silva e Manuel Joaquim Pires apoiavam no Bar e onde era necessário; Joaquim Pacheco Correia, terão de aguardar por uma próxima crónica, pois a sua história de vida merece uma reflexão mais detalhada.
Termino a crónica de hoje com mais um destaque - José Maria Vieira Grilo: saiu da mesma "fornada", porém só permaneceu na Banda até aos 18 anos. Foi o primeiro Músico da Filarmónica de Alegrete a fazer carreira profissional na música. Terminou a carreira como sub-chefe de Banda Militar. Em 1964, depois de se reformar, regressou às origens e assumiu a direcção artística da sua amada Filarmónica de Alegrete.
É o autor da música de Alegrete Ramalhete e em 1966, em Évora, conquistou o 1º lugar no concurso de Filarmónicas do Alentejo dirigindo a Filarmónica da sua Terra Natal.
Que a ALMA de todos eles DESCANSE EM PAZ e que como estrelinhas, lá bem no alto, continuem a iluminar as nossa vidas.
Obrigado por tudo quanto nos deixaram !!!
