Maria do Carmo Serrote

Crónica 3 (23-10-2026)

Cuidar do Planeta Terra

Há um pacto invisível que assumimos quando lavamos uma embalagem de iogurte, quando dobramos um cartão ou vamos à rua para colocar cada resíduo no ecoponto.

Estamos a fazer a nossa parte e queremos ter a certeza de que todo esse esforço não se perde ao longo da cadeia e as dúvidas legítimas surgem ao nível da separação doméstica que continua a ser o pilar fundamental para evitar que toneladas de recursos terminem em aterros sanitários ou incineradoras. Quando descobrimos que, no fim da linha, grande parte desse esforço é diluído por falhas estruturais, a sensação não é apenas de frustração, mas de traição à nossa boa fé e sobretudo ao Planeta Terra. Quando descobrimos que o sistema que deveria dar continuidade às nossas atitudes cívicas e de ética moral, muitas vezes falha, seja por deficiências nas infra-estruturas de reciclagem, seja por falta de capacidade de valorização de certos materiais no mercado ou ainda por negligência na fase de triagem e recolha, sentimo-nos traídos nas nossas atitudes e nos nossos deveres cívicos.

É uma dúvida profunda e legítima partilhada por muitos cidadãos que com rigor cumprem diariamente a sua parte na separação dos resíduos. Contudo quero acreditar que na esmagadora maioria dos casos isso não acontece.

Muitos veículos de recolha possuem divisórias internas para recolher diferentes fileiras do lixo.

Ainda se fazem recolhas com diferentes itinerários consoante os produtos. Por exemplo, um dia cartão, outro dia vidro ou plásticos.

Temos que acreditar que quando os resíduos chegam às estações de triagem, passam por processos óticos e manuais para separar detalhadamente cada material.

Temos que entender que quando não separamos o lixo em nossas casas, quando o plástico ou o cartão ficam contaminados por restos orgânicos ou gorduras, inviabilizam quase totalmente a sua reciclagem e estamos a inviabilizar que a matéria prima (cartões ou plásticos), estando limpa, tenha um valor importante na reintrodução na indústria.

Quando se colocam resíduos inadequados no ecoponto, por exemplo louças de cerâmica no vidro ou fraldas no plástico, o lote pode ficar inviabilizado.

Temos obrigação de contribuir para uma economia circular e uma redução da pegada @ecológica, porque assim estamos a colaborar na poupança de recursos naturais.

É importante sabermos que produzir papel a partir de fibra reciclada consome muito menos energia que produzir o papel a partir de pasta de madeira virgem.

Ainda com o nosso procedimento correto, estamos a evitar a extração continuada de recursos(por exemplo menor devastação das florestas), reduzimos a acumulação de resíduos em aterros que produzem grandes emissões de gases com efeito de estufa.

Mesmo que o sistema de recolha e tratamento ainda tenha aspetos a aperfeiçoar, sem a separação na origem (em nossas casas), o processo de reciclagem nem sequer pode ter início. O empenho em cuidar do Planeta através destes pequenos gestos diários, continua a ser uma das formas mais concretas e eficazes de deixar um legado de sustentabilidade e respeito às próximas gerações.

VAMOS CUIDAR de deixarmos um Planeta mais VIVO e mais SAUDÁVEL aos nossos filhos e netos.

Vamos SEPARAR para RECICLAR

Cuidemos do Planeta