Hermenegildo Correia

Crónica 4 (02-09-2026)

Quarta crónica sobre alegretenses notáveis


MANUEL MIRANDA BRANCO: A paixão pela filarmónica alegretense

O capitão do exército Manuel Miranda Branco, nasceu em Alegrete, no dia 9 de maio de 1880 e faleceu em 1971 (DELICADO, A. F. – Filarmónica de Alegrete. As memórias que o tempo guardou, pág. 158).

O capitão Manuel Miranda Branco "(…) desempenhou funções de governador de distrito, em Timor, intendente nos Dembos e Quanza, em Angola, presidente da Câmara Municipal de Bragança e vice-presidente da Câmara Municipal de Portalegre, entre outras funções" (DELICADO, A. F., obra citada, pág. 158).

Manuel Miranda Branco foi presidente da Câmara Municipal de Bragança, durante o período de 24 de julho de 1926 a 16 de junho de 1929 (BUSCA, António Manuel Pacheco, publicação no Facebook, 15 de março de 2022). Os contributos dados no âmbito do desempenho deste cargo são assim referidos por António Busca: "(…) ainda hoje a cidade transmontana lhe reconhece o mérito pela obra que legou no Plano da Requalificação Urbana, do Ambiente, das Acessibilidades, nas Áreas Social, Económica e Financeira e no Património e Urbanismo" (In publicação no Facebook, 15 de março de 2022).

Manuel Miranda Branco exerceu também funções de elevada responsabilidade na Câmara Municipal de Portalegre. "No sistema administrativo do Estado Novo, os vereadores mais fortes ou designados pelo Ministério do Interior assumiam a vice-presidência e dividiam a gestão diária ou a presidência interina em caso de ausência ou impedimento do presidente tutelar" (in IA, consultado em 14 de setembro de 2026). Foi este o caso de Manuel Miranda Branco. Presidente do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Portalegre, pelo menos desde 1948, cargo que ainda desempenhava em 1958 (in Chat GPT, consultado em 14 de setembro de 2026), exerceu também em diferentes momentos, as funções de Presidente da Câmara (em substituição), em 1953 e 1954. Em 1957 o capitão Manuel Miranda Branco "(…) surge a assinar atas e deliberações oficiais na qualidade de vice-presidente em exercício de presidente da Câmara" em virtude da doença e subsequente falecimento do presidente da Câmara (professor Manuel Fernandes de Carvalho) (in IA, consultado em 14 de setembro de 2026).

Um dos grandes contributos de Manuel Miranda Branco no desempenho do seu cargo, foi o "projeto de construção de um novo depósito de água para o abastecimento da cidade, lançado em 1948" (in Chat GPT, consultado em 14 de setembro de 2026), fundamental para a modernização de infraestruturas essenciais de Portalegre.

No que diz respeito ao papel de Manuel Miranda Branco em Alegrete, esse papel foi fundamental. Eis o testemunho de António Delicado:

"(…) sempre amou a sua terra natal. Esteve sempre na linha da frente quando se tratava de melhoramentos para Alegrete: o telefone, a electricidade, o abastecimento de água, estradas e arruamentos, a 1ª Casa do Povo do distrito contaram com o seu empenhamento apaixonado. Era carinhosamente apelidado de «O Lagarteiro sempre presente»" (in Filarmónica de Alegrete. As memórias que o tempo guardou, pág. 158).

Outro contributo fundamental do capitão Manuel Miranda Branco em Alegrete, teve a ver com o seu papel na reorganização da Banda de Alegrete em 1919. Disto nos dá conta um texto da Federação das Bandas Filarmónicas do Distrito de Portalegre:

"Após um período de instabilidade (1910-1919), provocada por razões políticas no seio dos músicos (uns adeptos da Monarquia, outros, adeptos da República) – do qual apenas existem relatos verbais, a Banda foi reorganizada em 1919 pelo ilustre alegretense Capitão Manuel Miranda Branco, ano em que à Colectividade foi atribuída a actual denominação: Sociedade Recreativa e Musical Alegretense" (site da Federação das Bandas Filarmónicas do Distrito de Portalegre, consultado em 14 de setembro de 2026).

António Delicado descreve como o capitão Branco moderou os conflitos na Banda:

"Em 1919, ao regressar de Timor, (o capitão Branco) deu-se conta que a banda continuava desmembrada. De imediato convidou os músicos desavindos para uma reunião, dissuadindo-os da sua atitude. Ao que se sabe, não foi tarefa muito difícil: os músicos, que nunca tinham deixado de amar a sua banda, apenas aguardavam um empurrãozinho, depois o sr. Capitão Branco era uma pessoa muito respeitada e considerada em Alegrete, a quem muito dificilmente se dizia não" (in Filarmónica de Alegrete. As memórias que o tempo guardou, pág. 158).

Algum tempo depois, o capitão Branco partiu para mais uma campanha militar em África, onde permaneceu vários anos. "Quando regressou, em 1936, a banda e o povo de Alegrete prestaram-lhe a (…) merecida homenagem pública, iniciada à porta de casa onde nasceu, na rua que hoje ostenta o seu nome, de onde partiu, em cortejo, para a nova sede, no Espírito Santo" (DELICADO, A.F. – Filarmónica de Alegrete. As memórias que o tempo guardou, pág. 158).

Ainda nas palavras de António Delicado: "É justo considerar que o sr. Capitão Manuel Miranda Branco salvou a Banda de Alegrete de uma extinção inevitável" (in Filarmónica de Alegrete. As memórias que o tempo guardou, pág. 159).

Hermenegildo Correia

Setembro de 2026