Mário Ceia
Crónica 4 (30-10-2026)
No seguimento da crónica Casas e Ruas c/História falamos hoje do adro da igreja matriz de Alegrete.
Historicamente o adro é o terreiro ou pátio exterior situado directamente em frente ou em volta de uma igreja. Trata-se dum espaço arquitectónico e social muito importante, especialmente em vilas e cidades com matriz histórica e cristã.
Origem e Significado: Etimologia: A palavra deriva do latim Atrium, que se referia ao pátio de entrada ou ao vestíbulo das casas romanas . SinónImos: Pode ser chamado de átrio ou peribolo
Adro de Alegrete. Em Alegrete, o termo adro, refere-se tipicamente ao espaço exterior da igreja matriz S .João Baptista , um dos marcos centrais desta vila medieval do Alto Alentejo, concelho de Portalegre. Este espaço, é a ponte de entrada para o templo, situado no largo da igreja( zona histórica) no interior das muralhas do antigo burgo.
Localização : Zona superior da vila e acesso ao castelo .
Características: É um adro em calçada portuguesa que oferece uma transição entre a estrutura fortificada da vila e o portal da igreja seiscentista. Enquadramento: junto a ele situa-se também a igreja da Misericórdia e a Torre do Relógio ambas do Século XVII.
Trata-se dum espaço arquitectónico e social muito importante, especialmente em vila e cidades com matriz histórica e cristã. Origem e Significado: Etimologia: A palavra deriva do latim Atrium, que se referia ao pátio de entrada ou ao vestíbulo das casas romanas .
SinónImos: Pode ser chamado de átrio ou peribolo Adro de Alegrete. Em Alegrete, o termo adro, refere-se tipicamente ao espaço exterior da igreja matriz S .João Baptista , um dos marcos centrais da vila medieval do Alto Alentejo, concelho de Portalegre. Este espaço, é a ponte de entrada para o templo, situado no largo da igreja( zona histórica) no interior das muralhas do antigo burgo. Localização : Zona superior da vila e acesso ao castelo . Características: É um adro em calçada portuguesa que oferece uma transição entre a estrutura fortificada da vila e o portal da igreja seiscentista Enquadramento: junto a ele situa-se também a igreja da Misericórdia e a Torre do Relógio ambas do Século XVII. Espaço de Transição: Funciona como uma preparação espiritual e física entre o mundo profano (a rua) e o espaço espiritual sagrado ( o interior do templo). Ao longo dos tempos, nomeadamente nas últimas décadas do Séc. passado, sofreu alterações, o seu lajeado foi substituído por calçada que, segundo a história destes espaços, servia para cobrir e selar as sepulturas que ali existiam, uma prática comum até à proibição dos enterramentos dentro e junto aos templos. No Séc XIX, servia de cemitério da paróquia e, a decisão de lajeado em definitivo estava ligado a vários factores, tais como: Higiene e Saúde Pública : No Séc XVII e início do Séc.XVIII, a sobrelotação das igrejas e adros com cadáveres, tornou-se um problema sanitário grave. O lançamento ajudava a acentar odores e a evitar a propagação de doenças antes da obrigatoriedade da criação de cemitérios civis afastados das populações, imposta pelas leis liberais de 1835. Transição Funerária: Com a proibição progressiva de enterrar nos adros, estas áreas foram pavimentadas para marcar o fim dessa função e integrar o espaço na malha urbana da vila, muitas vezes preservando as pedras tumulares dos habitantes mais abastados sob o novo pavimento . Dignidade do Espaço: O adro era o centro da vida social da vila, onde se realizavam reuniões, procissões, e convívios. O lajeado conferia uma estrutura mais sólida e limpa no terreno que, antes seria de terra batida e sujeito à degradação pela chuva e pelo uso constante para novas minerações. Ponto de Encontro Comunitário: É por excelência o local onde as pessoas se reúnem antes e depois das celebrações litúrgicas. Em muitas culturas, serve também de palco para arraiais , festas populares, feiras e procisssões. Daí, nasceu a expressão: " ainda a procissão vai no adro", utilizado para indicar que em determinado assunto ou processo, está no seu início e que desenvolvimentos importantes ainda vão acontecer. No entanto ainda existe uma outra expressão indomática, esta mais antiga em português: " triste como um adro", esta analogia faz referência directa à atmosfera silenciosa, melancólica e fria dos antigos adros quando eram e ainda funcionavam como cemitérios paroquiais. Tradições e Eventos: O adro tem sido palco de celebrações locais, como a festa de N.Sra. da Alegria, onde, rituais tradicionais acontecem à porta do templo e no adro. Como recordar é viver, recorde-se que foi palco de bailes à voz dos dançantes (as saias), a juventude assim se divertia principalmente pelo Carnaval. De recordar ainda que foi palco de hábitos que eram normais sempre que havia casamentos e baptizados, onde os padrinhos ofereciam e deitavam amêndoas e rebuçados. Momento que era sempre esperado, não só pelas crianças como pelos adultos presentes e, que se foi perdendo ao longo dos tempos.
(IA)2026
Mário Ceia