No seguimento do tema anterior, hoje abordarei mais um perigo do verão que é muitas vezes desvalorizado: as alterações da pele que não devemos ignorar.
O verão convida-nos a passar mais tempo ao ar livre. Praia, piscina, caminhadas, trabalhos agrícolas ou simplesmente conversar à sombra fazem parte dos dias mais quentes. No entanto, se o sol traz benefícios, como a produção de vitamina D, a exposição excessiva ao mesmo ao longo dos anos também pode ter consequências para a saúde da pele.
Porque é que o sol pode ser prejudicial?
A exposição prolongada aos raios ultravioleta provoca o envelhecimento precoce da pele e aumenta o risco de cancro da pele.
Os efeitos da exposição solar acumulam-se ao longo da vida e os problemas tendem a surgir não de forma imediata, mas sim anos ou até décadas mais tarde.
Quem tem maior risco?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver lesões na pele, o risco é maior nas seguintes situações:
Pessoas com pele mais clara e/ou muitos sinais;
Pessoas com antecedentes de queimaduras solares frequentes ao longo da vida;
Pessoas que trabalham ou trabalharam muito tempo ao ar livre sem proteção;
Pessoas com antecedentes pessoais ou familiares de cancro da pele.
O que devemos vigiar?
A maioria dos sinais e manchas da pele é benigna. No entanto, algumas alterações merecem atenção.
Uma forma simples de identificar sinais suspeitos é através da regra ABCDE:
A – Assimetria: metade do sinal é diferente da outra metade.
B – Bordos: os limites tornam-se irregulares ou mal definidos.
C – Cor: existem várias cores no mesmo sinal ou ocorre alteração da sua cor habitual.
D – Diâmetro: o sinal aumenta de tamanho, sobretudo se ultrapassar cerca de 6 mm.
E – Evolução: o sinal muda de tamanho, forma, cor ou comportamento ao longo do tempo.
Além disso, devemos estar atentos aos seguintes aspetos:
Feridas que não cicatrizam ao fim de várias semanas;
Crostas persistentes;
Lesões que sangram facilmente;
Manchas novas que aumentam progressivamente de tamanho;
Pequenos nódulos ou "borbulhas" que persistam durante meses.
! Estas alterações podem corresponder a diferentes tipos de cancro da pele.
Quando devemos procurar avaliação médica?
É aconselhável procurar uma opinião médica sempre que:
Um sinal muda de aspeto;
Surge uma mancha nova que cresce rapidamente;
Existe uma ferida que não cicatriza;
Uma lesão prévia que sangra repetidamente;
Existe alguma alteração da pele que persiste e levanta dúvidas.
Apesar de, na maioria das situações, não se tratar de algo grave, uma avaliação precoce pode fazer toda a diferença.
Como podemos proteger a pele para o futuro?
Existem medidas simples que ajudam a reduzir os danos causados pelo sol, semelhantes às que nos permitem proteger dos restantes efeitos nocivos do sol.
Evitar a exposição solar entre as 11 e as 17 horas;
Utilizar chapéu de abas largas;
Usar roupa leve que cubra a pele;
Aplicar protetor solar com fator de proteção adequado (preferencialmente 50+) nas zonas expostas, TODOS os dias e não apenas nos dias de praia ou piscina;
Reaplicar o protetor regularmente;
Procurar sombra sempre que possível.
MENSAGEM FINAL
A nossa pele guarda a história de uma vida inteira ao sol.
Por isso, tão importante como protegê-la é aprender a observar as suas alterações. Um sinal que muda, uma mancha que cresce ou uma ferida que não cicatriza podem parecer pequenos detalhes, mas merecem atenção. Porque, quando falamos de cancro da pele, detetar cedo pode fazer toda a diferença.
"Conversas sobre Saúde"
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