TOUCINHO CRU

Crónica 7 (23-07-2026)

A Panela Ao Lume…

Conservas Para o Inverno

Se no verão a fartura e a diversidade se faziam sentir, nas hortas e até mesmo nos terrenos de sequeiro, no inverno já assim não era. O clima desta estação não era favorável a muitos dos alimentos produzidos na terra e que eram a base da alimentação das gentes, que seguiam os ciclos da natureza, tanto no sustento como em todas as outras rotinas do dia a dia.

É claro que esta época do ano, mais agreste e despida, ainda tinha alguns produtos que o povo consumia para não morrer à míngua. Como, por exemplo, na zona serrana, a castanha, que muito antes da batata ou do arroz, servia de mantimento ao povo, menos privilegiado em recursos.

Mas não é desse tempo tão longínquo que vou falar. Vamos pensar noutros dias, que embora parecendo distantes, não passaram há mais de meia dúzia de décadas.

Seguindo o homem os exemplos da natureza, arranjou métodos de guardar, quando havia fartura para consumir, quando chegasse a escassez. Qual formiga, que armazena no verão para comer no inverno.

Se os cereais, como o trigo e o centeio, ou as leguminosas, como o feijão e o grão, se proporcionavam a esse armazenamento – bastava secá-los ao sol e guardá-los em lugar seco – outros alimentos havia que precisavam de uma conservação mais elaborada. E foi assim que se foi descobrindo que o sal e o azeite, tal como para a carne, também eram bons conservantes para os vegetais, aliados por vezes a alguma desidratação. Como no exemplo que mostro a seguir.

Porém, ainda havia alguns alimentos que tinham algum aguardo. Não tanto como os dos métodos anteriores, mas por dois ou três meses. E era frequente ver-se pendurados nos tetos das cozinhas, que tinham o lume sempre aceso, molhos de tomates, cachos de uvas ou melões, juntamente com as ervas aromáticas, como o louro ou os orégãos.

Os pimentos, esses, secavam-se ao sol e iam depois a moer ao moinho. Os mogangos, depois de um determinado tempo ao sol, para encascar, chegavam ao próximo verão.

Conserva de Tomate

  • Cortar o tomate ao meio e deitar bastante sal.
  • Colocar em cima duma tábua e levar ao sol 3 a 4 dias seguidos.
  • Cortar em pedacinhos o mais pequenos possível ou moer (o aparecimento do passe-vite veio facilitar esta, como várias outras, tarefas na cozinha.
  • Colocar em frascos ou garrafas de vidro e deitar um pouco de azeite por cima.

Este método era também utilizado com outros vegetais, como por exemplo, pimentos.