Ana Lúcia Parente

Crónica 8  (30-07-2026)

DORMIR MAL NÃO É NORMAL

Dormir bem é tão importante para a saúde como ter uma alimentação equilibrada e praticar exercício físico.

No entanto, muitas pessoas vivem durante anos com dificuldades em dormir e acabam por encarar isso como algo normal, sobretudo com o avançar da idade. Embora algumas alterações do sono sejam mais frequentes nos idosos, dormir mal não deve ser visto como uma consequência inevitável do envelhecimento.

Porque é que o sono é tão importante?

Enquanto dormimos, o organismo continua a trabalhar. O sono é essencial para:
  • Recuperar energias;
  • Consolidar a memória;
  • Regular o humor;
  • Fortalecer o sistema imunitário;
  • Proteger a saúde do coração e do cérebro.
Quando o sono é insuficiente ou de má qualidade, os efeitos podem sentir-se ao longo de todo o dia.

Que sinais podem indicar um problema?

É importante estar atento se surgirem:
  • Dificuldade em adormecer;
  • Despertares frequentes durante a noite;
  • Acordar muito cedo sem conseguir voltar a dormir;
  • Sensação de acordar cansado, como se não tivesse descansado;
  • Sonolência excessiva durante o dia;
  • Cansaço persistente;
  • Irritabilidade ou dificuldade de concentração.
Porque dormimos pior?

As causas podem ser muito variadas, incluindo:
  • Stress, preocupações ou ansiedade;
  • Dor crónica;
  • Consumo excessivo de café ou outras bebidas estimulantes;
  • Uso de telemóvel, televisão ou outros ecrãs antes de dormir;
  • Alguns medicamentos;
  • Horários de sono irregulares;
  • Consumo de álcool ao final do dia.
Em alguns casos, o problema pode também estar relacionado com doenças específicas do sono.

E o ressonar?

Nem todo o ressonar é preocupante. No entanto, quando é intenso e acompanhado por pausas na respiração durante o sono, pode ser sinal de apneia do sono. Alguns sinais que devem chamar a atenção incluem:
  • Ressonar alto e frequente;
  • Pausas respiratórias observadas por familiares;
  • Sono agitado;
  • Acordar com sensação de falta de ar;
  • Sonolência excessiva durante o dia;
  • Dor de cabeça ao acordar.
Estes sinais podem estar associados a uma doença frequente chamada apneia do sono. Quando não é tratada, pode aumentar o risco de hipertensão arterial, AVC e doenças cardíacas.

O que podemos fazer para dormir melhor?

Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença:
  • Manter horários regulares para deitar e acordar;
  • Evitar café, chá preto, bebidas energéticas e álcool ao final do dia;
  • Evitar refeições pesadas à noite;
  • Reduzir o uso de telemóveis, televisão e outros ecrãs antes de dormir;
  • Manter o quarto confortável, escuro e silencioso;
  • Praticar atividade física regularmente, evitando exercício intenso perto da hora de deitar.
E os comprimidos para dormir?

Os medicamentos para dormir podem ser úteis em algumas situações e durante períodos limitados. No entanto, o uso prolongado pode estar associado a efeitos adversos como:
  • Habituação ou dependência;
  • Maior risco de quedas, sobretudo nas pessoas mais velhas;
  • Alterações da memória;
  • Sonolência durante o dia.
Por isso, não devem ser iniciados nem mantidos sem acompanhamento médico. Além disso, nem sempre resolvem a causa do problema.

Quando procurar ajuda médica?

É aconselhável procurar avaliação médica quando:
  • As dificuldades de sono persistem durante várias semanas;
  • Existe sonolência excessiva durante o dia;
  • O ressonar é intenso ou há pausas respiratórias durante o sono;
  • O sono interfere com as atividades do dia a dia;
  • Há necessidade frequente de recorrer a medicamentos para dormir.
MENSAGEM FINAL

Dormir mal não deve ser ignorado nem encarado como algo normal da idade. Cuidar do sono é cuidar da saúde do coração, do cérebro, da memória e do bem-estar geral. 

"Conversas sobre Saúde"