Ana Lúcia Parente

Crónica 9  (10-09-2026)

E SE PERGUNTÁSSEMOS SIMPLESMENTE: "ESTÁS BEM?"


"Está tudo bem."

Quantas vezes fazemos esta pergunta e aceitamos a resposta sem questionar a resposta?

E quantas vezes respondemos "está tudo bem", quando, na verdade, não está?

Hoje, dia 10 de setembro, assinala-se o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, uma data que nos lembra a importância de falar sobre saúde mental, de reconhecer os sinais de sofrimento e de não ter medo de perguntar, pois nem sempre quem está a atravessar um momento difícil o manifesta.

Será que conseguimos perceber quando alguém não está bem?

Nem sempre.

Uma pessoa pode continuar a trabalhar, a cuidar da família, a sair de casa e a conversar normalmente, e ainda assim estar a atravessar um período de grande sofrimento.

Devemos estar atentos aos seguintes sinais:

- Tristeza ou irritabilidade persistentes;
- Perda de interesse por atividades anteriormente apreciadas;
- Isolamento ou afastamento de pessoas próximas;
- Alterações significativas do padrão de sono ou de apetite;
- Cansaço ou falta de energia persistentes;
- Sentimentos de culpa, inutilidade ou desesperança;
- Comentários como "não vale a pena", "sou um fardo" ou "era melhor não estar aqui".

A presença de um único sinal não significa necessariamente que exista uma doença mental ou risco de suicídio. No entanto, uma mudança significativa no comportamento de alguém próximo merece atenção.

E se suspeitarmos que alguém não está bem?

Podemos começar por algo muito simples: fazer perguntas.

"Como tens estado?"

"Tenho reparado que não estás como habitualmente. Queres falar?"

Não é necessário encontrarmos as palavras perfeitas e, mais importante do que dar conselhos, é estarmos disponíveis para ouvir sem fazer julgamentos nem desvalorizar o que a pessoa está a sentir. Dizer "tens de pensar positivo" ou "há pessoas com problemas muito maiores" pode fazer com que alguém se sinta ainda mais incompreendido.

Por vezes, a melhor ajuda é simplesmente mostrar que estamos presentes.

Falar sobre suicídio pode incentivar alguém a fazê-lo?

Não.

Perguntar diretamente a alguém se já pensou em morrer ou em pôr termo à vida não provoca pensamentos suicidas nem aumenta o risco de suicídio. Pelo contrário, pode encorajar uma pessoa em sofrimento a falar e a procurar ajuda.

Se alguém nos disser que tem pensamentos suicidas, devemos levar a situação a sério, ouvi-la sem a julgar e procurar ajuda. Se houver risco imediato, não se deve deixar a pessoa sozinha e deve-se ligar para o 112 ou procurar ajuda de emergência.

E quando devemos pedir ajuda?

Não é necessário esperar que a situação piore.

O médico de família pode ser uma porta de entrada importante para os cuidados de saúde mental, ajudando a avaliar a situação e a encaminhar para o apoio mais adequado.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. A saúde mental é uma parte importante da nossa saúde e, em diferentes momentos da vida, qualquer um de nós pode necessitar de apoio.

Mensagem final

Por vezes, não nos apercebemos quando alguém está a sofrer. Por isso, por vezes, a pergunta mais simples pode ser a mais importante: "Estás bem?"

Desta vez, talvez valha a pena parar e esperar pela resposta. Uma conversa não resolve todos os problemas, mas pode ser o primeiro passo para alguém deixar de os enfrentar sozinho.

"Conversas sobre Saúde."